"Hic Sunt Dracones" (Aqui Há Dragões) é um termo em latim utilizado na cartografia medieval para indicar lugares desconhecidos ou perigosos.
Este filme é uma visita a um lugar concreto, mas imaginário. Um espaço delimitado, mas indeterminado. Situa-se dentro e fora desse intervalo espacial. A Avenida Almirante Reis. Ocorre num período temporal definido, mas ausente. Estamos em Janeiro de 2019. Fomos em busca de uma interpretação deste lugar habitado e povoado. Recorremos à escuta, ao olhar e à imaginação. Fomos investidos de sentidos, desinvestidos de modelos ou códigos, tanto quanto nos foi possível. Mas tudo é um gesto e aqui há uma escolha, uma necessidade, manifesta, de contar.
Hic Sunt Dracones
– Aqui há dragões.
Milhões de vezes por minuto.
Aqui há dragões.
Dragões a cruzar a avenida.
Dragões transvestidos.
Dragões fantasma.
Dragões mistério.
Sem roupa.
Pássaros que são
a escuta
da linha de água
que pisamos.
Pássaros curiosos
que observam
do cimo
as sombras
que não lembramos.
Tudo se vendeu.
A riqueza levar-nos-á ao colapso.
Dizemos
a chuva e
passamos.
Somos daqui.
– Deixámos tudo.
Ignoramos.
Aqui há dragões.
Credos-ofício
máquinas de fogo
casas imersas
em clareiras
dentro de lojas.
Há serpentes nas oficinas.
Ainda há criaturas
marcadas no mapa.
António Quadros Ferro
---------------------------------
Director: Filipe Penajóia
Production Company: Playground
Cinematographer: João Botelho
Colorist: Hannibal Lang at Bacon X
Sound: Fred Ferreira and Alberto Vieira at Núcleo Audio
Graphics: David Anastácio
Cast: Filipe Penajoia
0 comments:
Post a Comment